quarta-feira, 17 de setembro de 2008

"Quando a televisão faz escola: o Telecurso e os meios de comunicação em Timor Leste"

O artigo trata da implantação do Telecurso brasileiro no Timor Leste a partir do ano 2000 e das especificidades desse projeto. Foi escrito pela professora, radialista, mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), Maria Inês Amarante, e pelo professor, jornalista, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ivanildo Quirino do Nascimento.
Apesar de tratar de uma tecnologia não mais considerada nova - a televisão-, traz uma visão atual de uma função adquirida pelo veículo: a educação à distância. A partir desse ponto, discorre sobre a utilização do meio tecnológico como instrumento democrático e formador de uma sociedade nova, reconstituída enquanto república há seis anos.
Em contra partida, questiona até que ponto o uso da tecnologia agrega valor a uma sociedade, já que os grandes grupos midiáticos vêm, ao longo da história, reproduzindo o discurso de uma minoria favorecida, abastarda e excludente. O uso da TV pode, então, desencadear um processo alienante de reprodução de valores burgueses, elitistas e reacionários, deixando de lado a pluralidade cultural do povo timorense.
Os autores falam da transfiguração da cultura literária para a tecnológica e de como a falta de intermediação nesse avanço pode causar diversos transtornos à sociedade. É válido entender que a cultura visual é sugestiva, imagética, produtora de signos, e por isso, mais atraente à apreensão do conteúdo por parte dos alunos. A cognição visual é comparada à linearidade literária, colocando a última como componente que dificulta o entendimento do alunado.
A citação de Jean Cazeneuve sobre a utilização da grande mídia como estimulador social explica a idéia do programa, que é de democratizar a informação e propiciar capacitação profissional aos timorenses. Não obstante, é importante considerar a referência ao pensamento de Paulo Freire, que propõe o rompimento com os chamados grupos de poder, de forma a pensar numa educação inteligível e libertária.
O artigo propõe ainda enxergar o professor como um educador tecnológico, intermediador na relação mídia-sociedade. Por esse prisma, é necessário ter bastante cautela no processo de educação. Para os profissionais de Comunicação, serve para repensar o seu papel em sociedade e o impacto do seu trabalho para a formação de um povo.
O trabalho critica a falta de adaptação do programa à realidade local, a escassez de recursos financeiros e humanos, e a pouca condição de o aluno interessar-se pelo curso e nele permanecer. Um programa de educação, quando exportado, não deve ser levado ao pé da letra. É inerente considerar as idiossincrasias que o povo a ser beneficiado apresenta. Apesar da magnífica idéia de fomentar o ensino básico, médio e técnico em um país tão pouco desenvolvido, a equipe que exportou a idéia foi equívoca e ineficiente, quando dessa ação.
Todavia, é louvável a percepção dos idealizadores do projeto, que em via de declinar, foi reformulado, adaptando-se melhor às condições locais, o que trouxe parte dos alunos de volta às aulas.
Maria Inês e Ivanildo Quirino trazem à tona uma série de perspectivas em torno do uso da tecnologia a serviço da educação. Mais do que um artigo crítico, o trabalho é um provocador de opiniões, enriquecendo a discussão em torno do tema. Em momento algum é perceptível a opinião tendenciosa, muito embora apresente uma visão maniqueísta do assunto.

Um comentário:

mari fiorelli disse...

mto bom! tvz seja interessante colocar o link do texto oficial aqui.